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O que é moda?

Passei um tempao sonhando com um colete que vi na H&M, mas o meu número estava sempre esgotado. Procurei em todas as filiais e olhava todos os dias na loja online. Até que consegui e comprei morta de feliz.

Fui para o parquinho com o meu filho e mal cabia em mim de tanto contentamento.   Vesti com uma blusinha de algodao xadrez de manga 3/4, o colete por cima e jeans. Estava me sentindo a mae mais cool do bairro.  Quando eu chego, uma crianca aponta pra mim e comeca a gritar:

__ Vovó, vovó, ela tem um au-au em cima dela! Ela tem um au-au em cima dela!. – A avó sorri e diz que nao é um au au.

__ É um au au sim! – Dei sorriso amarelo  e avó comecou a ficar toda errada porque viu a minha cara.

A esta altura do campeonato, estava comecando a ficar deprimida porque todos estavam me olhando. Me virei pra crianca e expliquei que era um colete, nao era um au au.

A crianca continuou a brincar no parquinho, mas ficava me olhando de rabo de olho. Até que deu uma esquentada, tirei o colete, coloquei no carrinho do Peter e fui brincar com meu filho. Quando voltei, achei o menino-sem-nocao impressionado olhando pro colete, que estava enrolado no carrinho como uma bola de pêlo. Ele saiu correndo gritando:

__ Vovó, isso é um au au, tenho certeza!!!

A moda é um pouco louca, os seguidores dela é que sao loucos ou as criancas nao entendem naaaaada disso? Apesar de achar realmente um pouco diferente um colete de pêlo (fake, claro, pobres animais!), tentei deixar de lado, voltei a admirar o meu colete e vi que isso era super divertido e que deveria levar a situacao com humor.

Dois dias depois fui dar aula na casa de uma aluna. Deixei o colete na cadeira da varanda. Meia hora depois veio o filho dela de 20 anos. Pediu desculpa pela interrupcao, mas tinha que avisar urgente a mae que havia um gato estranho na cadeira da varanda.  Será que é melhor aposentar o colete?

A psiquiatra

Para quem nao sabe, tenho Síndrome do Pânico. Desenvolvi depois das perdas de entes queridos. Apesar de nao ter ataques, há dois anos que minha médica insiste para que eu converse com um psiquiatra. Claro que o medo em excesso e constante reduz as possibilidades de quem tem isso. Mas como me sinto bem e para mim psiquiatra ainda é coisa pra doido, sempre deixei pra lá. Isso até que, mês passado, minha médica insistiu veemente, apenas para que nao piore no futuro. Tá bom.

Ela me indicou dois psiquiatras bem renomados e, caso nao gostasse de um, era só trocar. Depois de um mês de espera chegou o dia. O consultório se localiza em uma área nobre da cidade e de fácil acesso. Entrei lá com aquela cara de “ei-vc-ta-aqui-o-q-significa-que-vc-é-doido” para as outras pessoas. Nao sei se era impressao minha, as pessoas também se olhavam curiosas. E tinha gente de todo tipo. Uma senhora cuidando de um homem que parecia ter 50 anos. Ela falava com ele como se fosse uma crianca e ele nao andava direito. Pra mim ele parecia dopado e “doido de verdade”. Ai meu Deus, onde fui me meter. Tinha um casal de árabes. O homem de terno e gravata. A esposa coberta de jóias, mas as unhas dos pés enormes, que nem as do cachorro que tinha no sítio da minha avó. Além disso, ela tinha uma cara de sofrimento tao grande que nao aguentei nem olhar muito tempo pra ela. Vi também uma moca lindíssima – com certeza era modelo – com um recém-nascido e tinha jeito de ser muito rica. Linda, rica e com um recém-nascido fofo.  E ela parecia ser uma paciente conhecida, pela forma com que ela era cumprimentada pelos atendentes do consultório. Que tipo de problema ela pode ter? Será que o pai do neném a largou e ela surtou? Perguntar eu nao podia, né?  Deixei de ficar olhando pros outros e resolvi ler uma revista e fiquei bastante concentrada, até que ouvi uma voz bem longe.

__Sr. Figueiredo?… Sra. Figueiredo?…Sra. Figueeeiireeeeedddoooo….

__ Ar… sou eu!

__ Venha!

__ Já vou!

Nao gostei de como ela me chamou e olhei para a cara dela e também nao gostei. Sorriso de quem comeu abacaxi azedo, toda descabelada e mal-vestida. Em ambiente de trabalho considero isso falta de respeito, mas tudo bem.

__ Oi! – Falei bem simpática. Estendi a mao e simplesmente fiquei com mao estendida. Ela nao me cumprimentou.

__Ah, tive que falar senhor e senhora Figueiredo porque nao vi seu nome, entao nao tinha como saber qual era seu sexo.

__ Tudo bem. Ah, desculpe, eu estava concentrada na leitura. Muito prazer! – Estendi novamente a mao pra ela.

__ Er… sinto muito, mas nao cumprimento ninguém por questoes higiênicas.

Fiz uma cara de impressionada, depois arqueei uma sobrancelha e ainda fiz uma careta. Nao pude disfarcar que pra mim isso é estranho. E nao é nao? Ela que use lencinhos umedecidos que desinfetam depois, mas nao cumprimentar acho grosseiro.

Me deitei no diva e ela riu de uma forma que também nao gostei. Disse que era pra sentar na cadeira normal da mesa dela. Lá se foi meu momento Freudiano. Ela já estava com minha ficha que minha outra médica tinha passado. Contei sobre as minhas perdas e um pouco da minha vida. Falei que tinha ido para uma psicóloga no Brasil, nao tinha adiantado nada e que na verdade só estava bem gracas ao espiritismo e ao apoio das pessoas queridas. Ela, nada imparcial, fazia caras e bocas. Me sentia julgada. Me interrompia o tempo inteiro. Nao gostei. Queria trocar de médico. Mas a boa notícia é que ela disse que nao preciso de psiquiatra. Ela recomendou uma terapia de mudanca de comportamento com uma psicóloga para que tenha menos medo das coisas e nada mais.

Apesar de estar aliviada por nao ter que voltar lá, fiquei me sentindo um pouco mal por ter me aberto pra alguém que nao gostei. Mas fazer o que, né? Pelo menos eu nao sou doida. Ou estou doida.

Mais velha

Antes aniversários eram apenas sinônimos de festa. Esse ano passou a ter outro significado: envelhecimento. Definitivamente nao pertenco mais à  juventude* e sou uma adulta. Sem ter pra onde correr. Com direito a trabalho, filho e cabelo branco (!). A Débora descobriu um fio enorme bem branco em mim. Nao acreditei que os meus cabelos iriam comecar, agora, antes dos 30, a enbraquecer. Culpei a melanina preguicosa desse fio, que esqueceu de trabalhar e prometi que nao ia contar pra ninguém –  especialmente pro Robert -, mas nao consegui. Desabafei que estou envelhecendo.Queria me sentir amada mesmo com o cabelo branco. Ele riu horrores e disse que tinha que arrumar uma namorada mais nova. Ótimo momento para brincadeiras.

Ia fazer festa, como todos os anos, mas nao conseguia me animar tanto. Pensava nas rugas (tudo bem que educar um filho sozinha aqui aliado a esse tempo traz envelhecimento precoce, mas mesmo assim), na perda de colágeno da pele do resto do corpo, na dificuldade para perder os quilinhos de inverno e no fato de que em 3 anos vou entrar pra casa dos trinta. Como assim? Para mim trintao era coisa de pais e amigos dos pais. Nao pra mim.

Mas tentava me acalmar. Ainda faltam 3 anos  para comecar a se desesperar. Comprei um vestido lindo para o meu aniversário. Será que ainda tenho idade pra vestir ele? Sim, sim, sem exageros. Mas sem o Peter né? Porque sair correndo atrás de crianca com vestidinho vaporoso, nao dá. Dei o lance no Ebay, em uma loja chinesa. Pechincha! No estilo igual aos vestidos da Zara e já vinha com os colares. Quem me conhece por aqui sabe que amo o Ebay. Pois bem, o vestido chegou e óbvio que o tecido nao é de primeira. Eu teria feito com outros, mas pelo preco tá ótimo. E é realmente bonitinho. O problema sou eu mesma. Devido aos quilinhos do inverno (4 que ainda insistem em ficar), o vestido ficou armado no quadril e eu fiquei me sentindo um bujao de gás com aqueles vestidinhos de renda em cima, que nem no sítio da vovó. Podre. Enchi os olhos d´água. Fica pro verao magro. Me decidi por um pretinho básico da H&M bem colado que emagrece.

Estava bem pensativa quanto ao idade até que o Robert me deu um cartao lindo de aniversário onde, entre declaracoes de amor, constava coisas simples e importantes que estupidamente esqueci:  “pense em todas as coisas que você viveu e aprendeu e que te tornaram essa pessoa tao maravilhosa que você. Pense em tudo que você conquistou até agora. Sabe, estar no meio da vida é ótimo, porque você pode passar horas se lembrando com boas saudades dos outros tempos, mas você também pode passar horas planejando todas as outras coisas maravilhosas que você planeja para o futuro”. E é que é verdade? Pois que venham as rugas, os cabelos brancos, mas também vivências e alegrias mais🙂

* Juventude se constitui de pessoas com até 26 anos de idade – física, pelo menos.

A faxineira – The end

Ela comecou a limpar o porta-retrato com  a foto do Robert. Ficou olhando e passando o pano bem devagar.

__ Olha, você tem meia hora pra aspirar e lavar o  chao e a gente encerra. Porque ja vao ser entao 5 horas de servico. – Falei olhando bem feio. Daí ela se tocou e comecou a trabalhar rápido. Finalmente!

__ claro, claro.

Eu saí limpando atrás, passando a vassoura atrás dos móveis e terminando de tirar o pó. Estava tao p. da vida que criei coragem e forca para fazer as coisas. Eu mereco…

No fim das 5 horas, eu a chamei, agradeci e disse:

__ Bem 5 horas a 10 euros, 50 euros. Aqui está e muito obrigada por ter vindo, mesmo sendo fim-de-semana. (Dei o dinheiro todo me tremendo. 50 euros por quase nada!)

__Na verdade ainda tem os 19% de imposto…

__ Você dá nota fiscal por acaso?

__ Er… na verdade, nao…

Além de enrolar as horas ainda queria cobrar imposto sem dar nota. Ela me olhou de uma forma tao gélida, que parecia cena de novela da Thalia. Na mesma hora o Robert entra em casa e a agradece pelo trabalho.

__ Você é sueco?

__ Sou sim.

__ Você sabia que acabei de estudar com um trabalho de PÓÓÓÓS-DOOOOUTORADO de Uppsala, da Suécia? – Ela ficou quase 45 segundos na palavra “pós-doutorado” e segurou o ar por um momento, esperando a reacao do Robert.

__ Legal. Em Uppsala tem boas univerdades.

__ Estou estudando na universidade para ser professora na Polônia, um dia. E nao quero só um bacharelado. Quero mestrado. – Ninguém merece uma égua dessa….

__ Que bom pra você.

__ Tenho um amigo sueco, vc sabia? – Agora pronto, vai querer paquerar com o Robert, a pobre.

__ É, legal. – ele falou já me olhando estranho.

__ De que cidade você é?

__ Estocolmo… – achei que era hora de me meter.

__ Pois é, muito obrigado, e até a próxima. Tchau e boa viagem pra casa.

__ É, de nada. Esse é o meu trabalho. Limpar quando as pessoas nao têm saco pra isso. – falou bem normal.

__ Nós sempre fazemos limpeza em casa. Estou doente no momento. Muito obrigada. – daí o Robert vem e diz

__ Quando a gente precisar de novo te liga!

__ Na verdade estudo muito, nao tenho muito tempo pra isso mas peco pra minha irma vir!

__ Otimo! Tchau!

Puhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh. Pra piorar o Robert pergunta o que ela limpou. Quando eu falei, ele quase encheu os olhos de lágrimas pelos 50 euros. Faxineira outra vez? Talvez sim, mas essa de novo, NEVER!

… Tocou a campainha. Eu e o Robert estávamos bem curiosos. Mas o Robert mais ainda. Era a primeira vez na vida dele (35 anos) que alguém vinha na casa dele fazer limpeza. Quando abri a porta, era uma mulher de aproximadamente 27  anos, polonesa, toda descabelada e fedia muito, mas muito. “Ai meu deus, já tô fraca. Com esse cheiro aqui por 3 horas, vou desmaiar”, pensei. Ela ficou chocada quando viu o estado do apartamento. Tratei logo de explicar que, na verdade, era sempre limpo. Mas devido à doenca, ninguém conseguiu fazer nada. “Você já viu um apartamento tao sujo assim?”, perguntou o Robert sorrindo esperando um “Nao, nao, que é isso!”.  A única resposta foi o silêncio e uma cara de impressionada. “Er… eu acho que ela nao viu, Robert”, eu disse.

Conversei com ela um pouco. Perguntei de onde ela era, disse que já tínhamos estado no país dela e ela perguntou nossas nacionalidades. Mostrei tudo o que ela poderia usar, fiz café, coloquei biscoitos na mesa e que, qualquer coisa, ela me chamasse. Depois expliquei o que era pra fazer e disse que em 3 horas dava para ela limpar tudo tranquilo. 20 minutos depois ela tinha literalmente lavado 1 espelho. E ainda tinha mais 3 que, provavelmente, ela também lavaria. O resultado seria 1h e 20min  só com os espelhos. O que eu fazia em 10min. Ok. “Er… esqueca o espelho e passe logo para o banheiro, por favor!”, disse gentilmente, mas já meio que arrependida.

Mais 40 minutos e escuto um barulho horrível. Ela despencou de um banco do banheiro. “Como assim caiu”? Ela subiu em cima de um banco molhado com meia calca-fina. Tudo bem. Isso nao foi muito inteligente, mas acontece. Mais uma hora ela ainda estava no banheiro – que é um ovo e tem quase nada dentro – e ainda nao tinha feito nem metade. “Vá por favor comecar a arrumar a sala” e eu mesma terminei de limpar o banheiro. Já estava ficando nervosa.

Ela pegou um balde, jogou produto pra limpar o chao dentro, molhou uma esponja e ia lavando os móveis bem devagar. Me arrependi. Além de demorar horrores ainda vai estragar a tinta dos móveis. Tentei dizer pra mim mesma que eu nao tinha condicoes de limpar e uma vez na vida eu iria sobreviver. Aí ela comecou:

__ Você sabia que estou fazendo meu trabalho final de curso? Estou na faculdade , me formando. – falou super orgulhosa.

__ Que bom! O que vc estuda?

__ Magistério. Com ótimas professoras. Vejo tudo bem aprofudando e todo fim-de-semana estou na biblioteca estudando.

__ Nossa, bem aplicada. E vc quer trabalhar aqui?

__ Claro que nao. Quero voltar pra Polônia.

__ Ah…

__ Vc estudou? O que vc faz?

__ Me formei em jornalismo e trabalho ensinando português.

__ Melhor que limpar, né?… – Ela falou bem triste e fiquei sem ter o que responder.

__ E… quanto você ganha? – Comecei a achar que ela estava muito curiosa pro meu gosto.

__ Er… depende da língua, se é pra firma ou privado e da escola. Varia muito.

__ Eu também posso dar aula aqui. Estou estudando. Me dá o cartao de onde você trabalha.

__ Er… Tá certo.

__ Você estudou bla bla bla – e falou o nome de várias cadeiras -. Pq se vc está dando aula é pra saber disso…. – agora a conversa está estranha.

__ Olha, me formei há 5 anos. Sinceramente nao lembro o nome de todas as cadeiras.

__ Eu falo inglês.

__ É, que ótimo. Tb falo. – Ó céus, agora ela vai querer fazer concorrência.

__ Que título vc tem?

__ Bacharel

__ Só isso? Vc nao quer um mestrado??? – Olhei pra ela com uma sobrancelha arqueada e respondi:

__ Na verdade no momento nao. Tenho um filho pequeno, uma família e no momento isso é bem mais pra mim.

__ Você sabe quanto ganha um professor de inglês, mas “native speaker“?

__ Nao, nao sei. – Saí, porque ela era definitivamente bizarra.

Pausa de 10min

__ Você sabe quanto ganha um professor de inglês, MAS SENDO um native speaker?? -, ela perguntou de novo me olhando com uma cara estranha.

__ Olha, sinto muito, nao sei.

Pausa de 15min

___ Olha, um professor de inglês, NATIVE SPEAKER, você sabe quanto é a hora aula=

Nao. Nao. Nao acredito que ela fica me perguntando pra testar se eu sei o que é um Native Speaker. ME POUPE.

__ EU JÁ LHE DISSE QUE NAO SEI QUANTO GANHA UM PROFESSOR DE INGLÊS NATIVE SPEAKER.

Já fazia 4 horas que ela estava aqui no apartamento que é bem pequeno e tinha apenas: lavado um espelho, limpou a privada, uma prateleira mínima do banheiro, um móvel da sala e a porta da cozinha. Em 4 horas.Em 4 horas eu já teria limpo todos os cômodos.

__ Olhe, você pode apressar, porque já faz 4 horas e nem o chao foi limpo, nem a cozinha, nenhum quarto…

__ Tá certo, tá certo.

Comecei a preparar uma aula.

__ O que vc está fazendo?

__ Preparando uma aula pra crianca e to pesquisando um pouco aqui.

__ Muito simples. Use música.

__ Eu sei que posso também usar música, mas estou procurando um livro para criancas aprenderem português do Brasil como língua estrangeira.

__ Procure numa biblioteca.

__ Já procurei e nao tem. Só de Português de Portugal – Comecei a ficar com a raiva.

__ Minha professora me deu altas dicas como fazer isso… – Falando com ar de superioridade. Porque tudo acontece comigo e só vem doido pra perto de mim? Já estava com vontade de gritar e sair correndo.

__ Hum-rum…

…. a continuar🙂

A faxineira – Parte I

Na Alemanha, ter alguém limpando sua casa todo dia é um luxo que só a minoria tem.  Além de ser um servico caro*, nem sempre é bem-feito. E, o mais importante, há a questao cultural. Aqui todos sao educados a fazer tudo. Nas creches, até mesmo as criancas que mal aprenderam a andar, já tiram seus pratos da mesa quando terminam de comer. E, pasmem,  jogam o resto no lixo e colocam a louca suja no carrinho, onde vai ser levada de volta à cozinha.

E eu, depois de uns anos aqui, aprendi nao só a fazer tudo eu mesma, como ainda a apreciar isso. A total independência. Saber e gostar de cozinhar, cuidar de filho e trabalhar. Uma mulher moderna.  Apesar de, tenho que confessar, sonhar com alguém passando nossa roupa. Você “dar conta de tudo” é uma característica dos europeus. Talvez por isso aqui ocorra tanto a Síndrome de Burnout por exagerarem, mas ainda sim acho boa a idéia de cuidar de si mesmo.

Vivi bem assim até o dia em que o Peter teve uma infeccao no estômago e no intestino e passou dez dias em casa bem doente. Depois de várias idas a hospitais (em todos os turnos), o Robert também adoece. Ótimo. Mais um. Bem, depois de uma semana servindo de enfermeira em um apartamento pequeno, com uma crianca também pequena e um homem bagunceiro por muitos dias, só pode resultar em caos. Para completar, eu adoeco também e fico muito fraca. Aqui estava tao sujo, que eu nao poderia me imaginar mais um segundo em casa.”Ai, nao, vou ter que chamar alguém pra limpar, nao vamos conseguir”. O Robert disse que ia limpar tudo. Trabalhando 10h por dia e tendo que dar atencao ao Peter, óbvio que nao deu conta.

Lutei contra todas as minhas novas crencas e liguei para um número que achei na internert. 10€ a hora. A voz soava do leste europeu. E se prontificava a vir no sábado à tarde. Por 3 horas. Morta de feliz por poder padecer em uma casa limpa, achei estranho ter alguém desconhecido remexendo em tudo. “Deixe de ser alema e aproveite!”, disse para mim mesma.

…a continuar

*10-12€ por hora

Pq fazer um blog?

Devido à insistências (minha e de terceiros), decidi fazer um blog. E, dessa vez, público. Vou contar aqui meu dia-a-dia  como uma mae que trabalha fora e vive entre 3 idiomas em casa. Brasileira, mulher de sueco e todos morando na Alemanha. Claro que essa salada só poderia gerar uma série de situacoes engracadas e estranhas. Além disso, o fato de eu trabalhar apenas por meio período me faz ainda ter o título de “dona de casa” (com muita honra), mas o que me rende uma série de aventuras caseiras. Quem quiser acompanhar (fora os meus amigos, que sao obrigados a isso), seja bem-vindo!